Estado de S. Paulo: Falta regulação nos sistemas alimentares, diz diretor-geral da FAO

Brasileiro José Graziano, que lidera a agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura desde 2012, afirma que a presença do poder público na regulamentação da alimentação está ‘atrasada’

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo
08 de março de 2019 | 10h12

“É aí que o carro está patinando”. Essas são as palavras do engenheiro agrônomo José Graziano, o primeiro brasileiro a dirigir a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, ao tratar da regulamentação dos sistemas alimentares ao redor do mundo. Para Graziano, que chega ao fim do segundo mandato em julho deste ano, a obesidade é hoje um problema de má nutrição até mais grave do que a fome em alguns países.

“O Brasil é um dos países onde a obesidade vem crescendo mais rapidamente, sobretudo entre crianças e mulheres. Uma geração de obesos será uma geração de pessoas doentes, o que vai comprometer não só o sistema público de atenção à saúde, mas também a vida dessas futuras gerações”, disse em entrevista exclusiva ao Estado em que faz um balanço de seu mandato e aponta os desafios da instituição.

Para Graziano, a interferência do poder público na alimentação é necessária para que os consumidores entendam o que estão comendo e para que haja prevenção do aumento da obesidade. Hoje, há 33 milhões de obesos no Brasil e 670 milhões no mundo. “Dietas saudáveis carecem de mecanismos legais de promoção, seja pela rotulagem e taxação de produtos ricos em açúcares, sal e óleos saturados, seja pela coibição de propagandas de alimentos não-saudáveis destinadas a crianças”, avalia.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,falta-regulacao-nos-sistemas-alimentares-diz-diretor-geral-da-fao,70002747603