Graziano da Silva: “Não há Fome Zero sem dietas saudáveis e sustentáveis”

Em mensagem para o Dia Mundial da Alimentação de 2019, neste 16 de outubro, ex-Diretor-Geral da FAO diz que a fome não pode ser completamente erradicada sem pessoas e planeta saudáveis

My message for the World Food Day 2019: We cannot achieve #ZeroHunger without sustainable food systems that achieve healthy diets for all

Em mensagem para o Dia Mundial da Alimentação de 2019, o ex-Diretor-Geral da FAO e Embaixador Especial para o Painel Global de Nutrição, José Graziano da Silva, afirma não ser possível atingir o Fome Zero global sem que se garanta a todas as pessoas dietas saudáveis que sejam baseadas em sistemas alimentares sustentáveis.

“Precisamos pensar em uma maneira sustentável de produzir alimentos saudáveis e nutritivos e garantir que eles sejam disponíveis e amplamente acessíveis a todos. E também reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras saturadas, particularmente as contidas em produtos ultraprocessados”, afirmou Graziano.

Segue abaixo a íntegra, em português, da mensagem de Graziano para o Dia Mundial da Alimentação de 2019, que se dedica justamente ao tema “Nossas Ações são o Nosso Futuro: Dietas Saudáveis por um mundo fome zero:

Este Dia Mundial da Alimentação nos traz uma mensagem essencial: atingir o fome zero global não fiz respeito apenas a erradicar a fome. Essa meta também abrange nutrir, ao mesmo tempo, as pessoas e o planeta.
Essa é uma ocasião oportuna para conscientizar os governos, o setor privado, as organizações da sociedade civil e também os cidadãos comuns sobre a importância de tornar as dietas saudáveis e sustentáveis disponíveis e acessíveis a todos.
O Dia Mundial da Alimentação deve nos dizer como podemos reagir, juntos, aos desafios de se promover sistemas alimentares sustentáveis que possam garantir dietas saudáveis para todos.
Por um lado, precisamos considerar os alimentos como parte essencial de nossa saúde. Cada vez mais, comprovadamente, os alimentos funcionam como remédios ou como ferramenta para fortalecer o sistema imunológico do ser humano.
Por outro lado, os alimentos que ingerimos não são apenas uma mera quantidade de proteínas ou vitaminas. As pessoas não comem apenas para prevenir doenças, para garantir uma vida saudável.
A comida também faz parte da nossa identidade, da nossa cultura. A comida é a base de nossas civilizações.
Infelizmente, porém, o número de pessoas famintas no mundo está aumentando novamente desde 2015, bem como outras formas de desnutrição, particularmente a obesidade.
Não há tempo a perder, pois as epidemias de obesidade e de excesso de peso estão afetando todos os países e todas as pessoas, independentemente de raça, cor e condição social.
E estão crescendo rapidamente. Por isos, nossa reação precisa ser ainda mais veloz.
Primeiro, precisamos pensar em uma maneira sustentável de produzir alimentos saudáveis e nutritivos e garantir que eles sejam disponíveis e amplamente acessíveis a todos.
E segundo, precisamos reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras saturadas, particularmente as contidas em produtos ultraprocessados.
Sabemos que esse tipo de produto não é comida de verdade. Tratam-se alimentos artificiais, dos quais não sabemos do que é feito.
Eles contêm muitos aditivos químicos para garantir que sejam de bom gosto e coloridos, especialmente para atrair crianças.
Os produtos ultraprocessados precisam ser tributados e ser claramente rotulados. A indústria de alimentos deve se adaptar a isso, da mesma forma que a indústria do tabaco precisava fazê-lo.
Precisamos ir além das diretrizes simples ou das recomendações com ações práticas.
Para resolver esse problema em um futuro próximo, precisamos trabalhar em uma convenção global para sistemas alimentares sustentáveis que garantam dietas saudáveis para todos.
Essa é a minha mensagem para você hoje e também a minha luta.